Como Giannis Antetokounmpo dominou as Finais da NBA

Como Giannis Antetokounmpo dominou as Finais da NBA

 

“Talvez Giannis seja um Pippen, pronto eu disse! Talvez ele precise de um Jordan”, Richard Jefferson. “Eu gostaria de poder correr… ter 2,13m de altura e só correr e enterrar, para isso não precisa habilidade. Eu tenho que aprender a jogar basquete e ter habilidade”, James Harden. “Giannis nunca vencerá sendo o jogador principal de um time”, algum cara que julga saber muito de basquete, mas não sabe nem por onde amarrar os tênis. “Leva esse traseiro para debaixo da cesta e domina no garrafão”, eu, em algum momento exasperado com os repetidos chutes de 3 pontos de Giannis Antetokounmpo.

O título não veio fácil. E, aqui, nem vou falar sobre ele ficar em Milwaukee e não trocar o Milwaukee Bucks por um supertime, ou algo do gênero. Isso é importante, claro, mas não conta toda a história. 

Até antes de sua lesão no joelho, que preocupou Milwaukee, ele mostrava sinais de que teria problemas. Repetidas vezes, parecia que Antetokounmpo não encontraria espaço para pontuar. Ele estava previsível. Ou chutava de 3, errando, ou iniciava o ataque da cabeça do garrafão, tentando trombar com a defesa, buscando um eurostep que não tinha para onde ir.

Um dos momentos mais preocupantes foi quando, marcado pelo diminuto Trae Young, do Atlanta Hawks, Giannis fez um fadeaway, em vez de atacar o aro.

Nesse momento, se você estivesse assistindo ao jogo comigo, ouviria, pela milésima vez, algo como “assista ao Shaq jogar, cara! Aprenda a fazer um jumphook, vai lá para baixo e domina”.

Então veio a lesão. Giannis subiu para pegar a bola, trombou com Clint Capela e caiu. Quando caiu, o mundo dos Bucks caiu junto com ele. Seu joelho foi hiperestendido e o ala-pivô parecia fora da temporada. 

Com seu maior jogador de fora, os Bucks fecharam a série contra o Atlanta Hawks. Sobrou esperar. Até os últimos momentos que antecederam ao primeiro jogo das Finais da NBA, ninguém sabia o que viria pela frente. 

Alguém achou que Antetokounmpo ficaria fora? “Achou errado, otário”, já responderia Rogerinho do Ingá. Ele voltou. Verdade, voltou sem confiança, o que custou duas derrotas para os Bucks.

A partir do Jogo 3, Antetokounmpo encontrou seu jogo. Não mais procurou a linha de 3 de maneira exagerada. O chute até veio, mas em momentos pontuais. O que se viu foi Giannis com uma atuação que deixou pouco a desejar quando comparado com os melhores anos de Shaquille O’Neal.

Em vez de bater de cabeça contra a defesa, forçando um eurostep, ele parou, girou e largou um jumphook na cara do defensor. Tá certo, o jumphook não era tão polido quando o de Shaq, mas foi efetivo.

Tão efetivo que os Bucks, praticamente, venceram a série pontuando no garrafão. Foram 11 pontos por jogo a mais que o Phoenix Suns na área pintada. Muito disso, nas costas de Giannis, que fez 16,9 pontos por jogo na área restrita. A segunda maior marca desde que a NBA começou a contar pontos em diferentes partes da quadra. Na frente dele, apenas Shaq, com 18,6 pontos no semicírculo perto do aro, em 1998.

De fato, a atuação de Antetokounmpo nas Finais só pode ser comparada com o Mais Dominante de Todos os Tempos. Giannis se juntou a Shaq como únicos jogadores com três jogos de 40+ pontos e 10+ rebotes nas Finais. Ele é o primeiro jogador além de LeBron James a tentar, pelo menos, 10 arremessos da área restrita desde Shaquille O’Neal em 2002.

E ele fez tudo isso da maneira antiga. Buscar posição perto da cesta, girar e pontuar. Enxague, repita.

Parabéns Giannis Antetokounmpo. Parabéns Milwaukee Bucks. Em 2021 o basquete venceu.

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