Dennis Rodman e a seleção da Coreia do Norte: uma parceria exótica

Dennis Rodman e a seleção da Coreia do Norte: uma parceria exótica

Coreia do Norte e Rodman
Simultaneamente à visita social, Dennis Rodman treinou a seleção da Coreia do Norte em 2013. Foto: AP/Kim Kwang Hyon

A Coreia do Norte tem uma seleção que nunca disputou uma Olimpíada. O estrito regime político reflete-se também no esporte, onde as aparições do time nacional são raríssimas. A exceção a esse bloqueio, contudo, não poderia ser mais rara: o encontro entre a extravagância de Dennis Rodman e a blindagem da Coreia do Norte.

Coreia do Norte e Rodman
Cartaz do documentário. Foto: Wikipedia.

Dennis Rodman chegou novamente à fechada Coreia do Norte em dezembro de 2013, para treinar a seleção. O convite veio juntamente com a improvável amizade que o jogador fez com o líder do país, Kim Jong-un, durante uma visita em fevereiro do mesmo ano.

Na ocasião, Rodman levou ao país uma equipe do Harlem Globetrotters para uma partida de exibição. Kim, fã de basquete, foi ao evento e, posteriormente, convidou Dennis para um jantar.
Imediatamente o atleta declarou que agora teria “uma amigo para a vida toda”, mesmo na época em que o ditador era publicamente acusado de crimes contra os direitos humanos.
Coreia do norte e o basquete
Kim Jong-un e Dennis Rodman assistem partida na Coreia do Norte. Foto: CNN

Sua estadia no país, bem como a partida entre a seleção nacional e ex-atletas da NBA, foi retratada no documentário Dennis Rodman’s Big Bang in Pyongyang. A obra, dirigida e produzida por Colin Offland, estreou em janeiro de 2015, no Slamdance Film Festival.

A equipe de jogadores dos EUA que viajou com Rodman e disputou uma partida com a seleção norte-coreana era composta de Kenny Anderson, Cliff Robinson, Vin Baker, Craig Hodges, Doug Christie e Charles D. Smith.

VISITA “MERAMENTE” ESPORTIVA

Antes de tudo, Rodman sempre fez questão de enfatizar que sua visita não era de caráter político, sendo um evento meramente esportivo. Entretanto, em seu discurso antes de embarcar para Pyongyang, chamou a turnê de um gesto de diplomacia do basquete.
Primordialmente, Dennis Rodman tentava passar uma boa imagem do ditador norte-coreano. “Tentarei interagir com ele (Kim Jong Un) nesse ponto do amor pelos esportes. Ele ama os esportes. Eu gosto do cara, e ele é uma ótima pessoa para mim. Mostraremos às pessoas que podemos nos dar bem. Vamos nos relacionar como seres humanos, e não como políticos.”
Como sempre, poucos detalhes são divulgados até hoje sobre a seleção nacional. Mas Cho Sung-Won, um jogador da vizinha Coreia do Sul, disse que Rodman encontraria bons atletas no país. “Os norte-coreanos são muito fortes, bem constituídos e altos. Eles estavam muito determinados na partida. Foi um amistoso, mas eu me senti um pouco intimidado.”
Sobre as supostas qualidades diplomáticas do jogador, Cho disse, na época: “não conheço Dennis Rodman pessoalmente, mas ele é um pouco peculiar e faz coisas inesperadas.” E arrematou, posteriormente – “acho que ele foi para a Coreia do Norte como um dublê publicitário. Por outro lado, o país joga um basquete de alto nível, então eles podem aprender com a experiência dele.”

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COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS

Apesar dos elogios ao time norte-coreano, a equipe disputou apenas duas Asian Cups, contudo tendo resultados positivos – na segunda aparição, em 1993, faturou uma medalha de prata. A conquista veio dois anos após estar no evento pela primeira vez, em 1991. Ao passo que, nos Asian Games, participaram em seis edições, obtendo uma medalha de bronze em 1978. Ou seja: mesmo com Rodman, a seleção não tem visibilidade internacional – assim como seu governo.

Além da ausência nas Olimpíadas, a seleção também nunca participou, igualmente, dos eventos da FIBA World Cup.

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