1948 – a cobertura da imprensa brasileira

1948 – a cobertura da imprensa brasileira

A SELEÇÃO BRASILEIRA DE BASQUETE DE 1948A seleção brasileira do técnico Moacyr Brondi Dauto (Corinthians) para os Jogos Olímpicos de 1948 tinha dez jogadores:

Ruy de Freitas (A.A. Grajaú); Alfredo da Motta, Algodão e o veterano Affonso Évora (Flamengo); Nilton Pacheco e Marcus Vinícius Dias (Fluminense); João Francisco Braz (Corinthians); Alberto Marson (Tênis Clube São José); Alexandre Gemignani e Massinet Sorcinelli (Espéria).

Imprensa cobriu de forma inusual a seleção de 1948
Seleção olímpica de 1948. Foto: arquivo CBB

O BRASIL NAS OLIMPÍADAS

Na preparação para o retorno dos Jogos Olímpicos em Londres, em 1948, os brasileiros tinham grandes esperanças de medalhas em vários esportes. Atletas de esportes individuais, como a nadadora Piedade Coutinho, estampavam mais de meia folha de jornal e recebiam a atenção da mídia.

O levantamento de fundos para os times olímpicos foi feito através de uma série especial de quatro selos, para a propaganda e benefício dos atletas que iriam às Olimpíadas. Os selos temáticos estampavam quatro modalidades: tiro, atletismo, natação e basquete.

Porém, a seleção brasileira de basquete não constava naquele momento como uma grande esperança de medalhas.

Confira a nossa página dedicada à cobertura, notícias e curiosidades sobre o basquete nas Olimpíadas

A seleção estava desacreditada devido ao desempenho ruim no sul-americano, disputado em São Januário, e também no torneio pré-olímpico. Por isso, parte da imprensa foi, em primeiro lugar, contra o envio da seleção às Olimpíadas.

DIFICULDADES NA VIAGEM E NO TREINAMENTO

Por outro lado, fora a própria imprensa, as dificuldades começaram no envio da delegação. A viagem, feita de avião, durou três dias. O roteiro iniciava em São Paulo, passando pelo Rio de Janeiro, Natal, continente africano, Lisboa e enfim, Londres.

Ao chegar, contudo, as acomodações da seleção ficavam a 80km da capital inglesa (uma distância absurda para a época). Os alojamentos eram numa base militar bombardeada pela Alemanha na 2ª Guerra, sem local adequado para treinar. Além disso, havia apenas UMA bola para toda a delegação. Para comparação, a seleção dos EUA tinha disponível uma bola para cada jogador.

Porém, apesar de todos os percalços e ao contrário do negativismo da imprensa, a seleção conseguiu chegar ao terceiro lugar. Assim, o Brasil perdeu uma única partida – para a França, na semifinal-, e ganhou a disputa do terceiro lugar contra o México.

A IMPRENSA BRASILEIRA NAS OLIMPÍADAS DE 1948

Imprensa e o basquete
Cobertura da seleção de basquete de 1948. Foto: Acervo/Gazeta Press

Como resultado, alguns jornais estavam tão despreparados que estamparam em suas reportagens que a seleção de basquete tinha sido a segunda colocada, em lugar da terceira.

Entretanto, a revista A Cigarra fez um retratação sobre o negativismo da cobertura:

“Fomos dos que discordaram da ida de uma representação de bola ao cesto, isto porque ainda nos recordávamos do Sul-Americano de São Januário e do torneio pré-olímpico. Porém é com prazer que confessamos que estávamos errados. Os nossos jogadores brilharam em toda linha. Na disciplina, na técnica e no esforço e abnegação com que se empregaram… Fomos derrotados uma só vez por um conjunto que só teve nas preliminares de jogar com quatro adversários e assim mesmo perdeu para um deles, o México, mais tarde derrotado por nós… Também devemos evitar menosprezar qualquer de nossas representações e enviar o máximo de homens possível para cada especialização”.

(Revista A Cigarra – 1948)

Nesse sentido, as coberturas esportivas, como o jornalismo da época frequentemente se caracterizava, lançavam mão do recurso descritivo nos textos:

“Ao lado da brutal competição travada entre governos pelo domínio de posições estratégicas e vantagens econômicas, as Olimpíadas de Londres constituíram um belo e saudável espetáculo de beleza, saúde e esportividade. Milhares de moças e rapazes procedentes de todos os cantos do globo reuniram-se na capital da Inglaterra para decidirem a supremacia mundial da força, da destreza, da velocidade e do sangue frio postos a prova nos mais diversos desportos conhecidos”

(Revista O Malho, 1948)

AVALIAÇÃO NEGATIVA DA IMPRENSA

Por fim, a participação do Brasil, no geral, recebeu a qualificação de “sofrível”.

Dessa forma, a crítica vinha acompanhada de cobranças pela democratização do acesso aos esportes. E citando, entretanto, dentre as experiências que deram certo, o basquete.

Assim, sobre os resultados olímpicos e a reflexão que eles trazem, deixo essas palavras de jornalistas da época. O desenvolvimento do esporte olímpico, segundo O Movimento Feminino, portanto, era retratado assim:

“Porém, uma das razões que, a meu ver, mais prejudicam, mais impedem o progresso e desenvolvimento esportivo do Brasil é a falta da democratização existentes em quase todos os esportes. A não ser o futebol e um pouco o basquetebol, os outros são politicamente fechados para a maioria do nosso povo.”

(O Momento Feminino, 1948)

A LIÇÃO DAS OLIMPÍADAS

Além disso, a publicação O Movimento Feminino fez una análise sobre a participação olímpica brasileira que ainda caberia como realidade nos dias de hoje para muitas modalidades:

“Temos que estudar e aprender o que nos ensinou as Olimpíadas de Londres. Tirar do nosso fracasso a lição que ela nos deu. Somos um povo subalimentado, se em vez de estádios temos hospitais cheios e perdemos mais de mil crianças por dia em nossa terra, a culpa cabe a esse governo. É necessário que a nossa mocidade seja tratada com atenção e carinho pelos poderes públicos. A juventude brasileira, sempre esquecida e abandonada, deve lutar por uma vida melhor porque tem direito a uma vida melhor”

(O Momento Feminino, 1948)

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