Dream Team 2: o time esquecido no tempo

Dream Team 2: o time esquecido no tempo

Desde Barcelona 1992 o mundo reverencia a seleção americana de basquete. A introdução dos jogadores da NBA transformou o esporte, internacionalizou a liga e começou uma era de domínio dos EUA. Desde então, vários times são lembrados. O Dream Team de 1992, o time de Atlanta 96, 2002 quando o time caiu nas quartas de finais do Mundial e o Redeem Team. Mas, esquecido, fica o time do Mundial de 1994, o único outro a receber o apelido do time de 92, o Dream Team II. 

A situação era interessante, para não dizer preocupante. Após anos da NBA sendo carregada pelo trio Magic-Bird-Jordan, ela via uma nova era chegar. Alguns achavam que o público perderia interesse no basquete profissional. Além da pressão de manter a fama internacional da NBA, o time deveria seguir o maior selecionado da história.

Foi assim que Shaquille O’Neal, Dominique Wilkins, Joe Dumars, Steve Smith, Mark Price, Reggie Miller, Alonzo Mourning, Kevin Johnson, Dan Majerle, Larry Johnson e Shawn Kemp chegaram ao Canadá para o Mundial de 94. Uma mistura de jovens talentos e jogadores que ficaram de fora do Dream Team original, como ‘Nique, que se recuperava de uma lesão no tendão de Aquiles em 92. Convocados, Isiah Thomas e Tim Hardaway ficaram de fora, lesionados.

Ao contrário do time de 92, o Dream Team 2 tinha atitude. Enquanto a seleção de Barcelona vencia com elegância, tratando adversários como fãs, a de Toronto era quase pretenciosa, arrogante. Juntar Coleman, Kemp, LJ, Shaq e tantos jovens acabou por ser uma janela para o futuro da NBA. Jogadores que se divertiam enterrando na cabeça dos adversários, com gritos, comemorações ou, como gostava de fazer Kemp, segurar a virilha enquanto se pendurava no aro.

Isso fez com que o público e imprensa – não acostumados com jovens pretos que não ficavam quietos, agradecendo a oportunidade, por assim dizer – virassem a cara para o time. Phil Taylor teve um famoso artigo na Sports Illustrated, reclamando desde as tatuagens de Shaq até o rap tocado na arena canadense.

Uma das coisas que ficou na memória, ilustrando bem como foi criticado esse time, veio da transmissão da Band na partida entre os americanos e o Brasil. Shaq pegou a bola, sozinho em um contra-ataque, jogou ela na tabela e enterrou. Os narradores brasileiros passaram os próximos minutos reclamando da enterrada e pedindo falta técnica para o pivô.

Para o Bleacher Report, Zo explicou da seguinte maneira: A gente era jovem e um pouco imaturos. Mas, cara, a gente estava se divertindo, era assim que a gente fazia. Algumas pessoas diziam que era falta de classe, mas se estou berrando depois de um rebote e enterrada não é falta de respeito. É soltar a energia. A gente podia ter feito menos. Mas a gente ganhou, ganhou com uma grande diferença. E a gente se divertiu.

O time, simplesmente, atropelou o mundo. Nenhuma seleção tinha um resposta para a velocidade, força e habilidade de Shaq, cuja tatuagem que dizia “O Mundo é Meu” nunca pareceu tão correta. Don Nelson, treinador da equipe, usou Kemp para puxar o contra-ataque. A explosão de Kemp até hoje é rara de ser vista. E, para chutes de fora, o Dream Team 2 tinha Miller, Price e Majerle, brincando com a linha de 3 da FIBA.

China, Espanha, Brasil, Rússia, Austrália e Porto Rico não tiveram chances na fase de grupos. A semifinal, contra os gregos, foi brincadeira de criança. E a revanche dos croatas de Toni Kukoc ficou pelo caminho quando eles perderam para a Rússia.

A final foi só para cumprir tabela. Antes mesmo de Shaq entrar em quadra – imagina um time no qual Shaq saía do banco! – o placar era de 42 a 17. Pela primeira vez desde 1986 os EUA conquistavam um mundial.

Kevin Johnson resumiu a experiência de uma bela maneira. “O que tirei da experiência foi que é muito especial representar seu país em um palco internacional. Tenho certeza que todos meus colegas de time sentiram o mesmo. Foi muito especial ter a medalha de ouro em volta do pescoço”.

“Outra coisa importante que aprendi foi que é muito mais fácil ter Shaq no seu time do que como adversário”.

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