Um guia básico do triângulo ofensivo -Parte 2

Um guia básico do triângulo ofensivo -Parte 2

Na primeira parte expliquei os básicos do triângulo ofensivo de Tex Winter. Qual papel cada jogador tem, já que não se joga com posições fixas, como se divide a quadra e vantagens e desvantagens. Na segunda parte, vamos ver os passes de entrada e como o Chicago Bulls de Michael Jordan, Los Angeles Lakers de Shaquille O’Neal e Lakers de Kobe Bryant usavam o ataque de oportunidades iguais.

PASSES DE ENTRADA

Corte interno

Esse é o corte mais básico, o início do triângulo. O 1 — normalmente falaria em posições, mas o triângulo permite que esse 1 seja qualquer um dos jogadores, desde que tenha capacidade para o passe — entrega a bola para o dois e corta, por dentro, para a zona morta.

Corte externo

Quase o mesmo que o corte interno, só que o 1 corta por fora do 2. Nada complicado. Dali, forma-se o triângulo e a jogada pode ser desenvolvida.

Corte UCLA

Essa é para quem reclama que na NBA moderna se usa muito corta-luz e o triângulo não permite isso. Olha o corte UCLA sendo incorporado no sistema ofensivo. O 5 vem fazer o corta-luz no 1. O 1 passa para o 2 e usa o pick para cortar para a cesta, esperando um passe. Caso ele não receba, abre para a zona morta, o 5 volta para o post up. Voltamos ao triângulo inicial.

Lado fraco

Essa era uma das favoritas dos Bulls. Ela colocava Michael Jordan no pinch post — o post up feito ali no cotovelo do garrafão — para fazer o que fazia de melhor, pontuar. A movimentação leva a bola do lado forte — o com a bola — para o lado fraco, mas ela pode voltar para o lado fraco, achando o 2, muitas vezes MJ nos Bulls, ali no pinch post com a marcação desequilibrada.

O 1 passa para o 3, enquanto isso, o 4 abre para receber do 3 que, após o passe, vai para a zona morta oposta. O 1 ocupa o espaço do 3, o 5 tenta surpreender a defesa cruzando o garrafão, e o 2 vai para o pinch post.

Outro time que gostava de usar a jogada era o Lakers de Shaq. O Mais Dominante de Todos os Tempos cortava o garrafão, se não recebia, os Lakers voltavam a bola para encontrar Kobe no pinch post.

COMO O TRIÂNGULO SE ADAPTOU AOS TIMES

Bulls do primeiro 3Peat

Tudo começa com John Paxson levando a bola para a zona morta, Horace Grant faz um rápido corta- luz.

Scottie Pippen e Bill Cartwright começam a se posicionar.

Grant corre para o corta-luz em Michael Jordan. Jordan aproveita o pick para atacar o aro. É uma possibilidade de passe, MJ sempre foi perigoso em movimentação.

Sem o passe em movimento, MJ se posiciona no post up e recebe o passe de Paxson. O armador dos Bulls passa e corta para a zona morta oposta.

MJ vai trabalhar. Nesse tempo, seu post up não era tão perigoso, primeiro instinto do maior de todos os tempo foi atacar o fundo da quadra. A defesa reagiu bem, mas ele encontrou o espaço.

Bulls do segundo 3Peat

Coloquei Toni Kukoc no lugar de Luc Longley por dois motivos. Primeiro, a jogada funciona melhor com Kukoc, infelizmente, não achei imagens boas o suficiente com o ala-pivô. Segundo, para mostrar para a turma do NBA moderna que o que times fazem hoje, já era feito faz tempo. Smallball e jogar sem um cinco fincado no garrafão não é nada novo.

Pippen começa bem aberto, Jordan e Dennis Rodman estão quase em um HORNS (essa jogada HORNS inicia com dois jogadores colocados nos cotovelos de cada lado do círculo de lance-livre), posicionados nos cotovelos do garrafão. Pippen recebe 1, 2, 3 picks no caminho para a zona morta. Outra reclamação de alguns é que o triângulo não usa corta-luz, base de muitos ataques atuais. Vemos que é mentira. Cada corta-luz apresenta uma possibilidade de ir para a cesta.

Quando o Point Forward dos Bulls chega na zona morta, Rodman faz o corta-luz no lado oposto para Jordan e se apresenta para o passe. MJ vai para o post up. Kukoc começa a ir para a cesta, mais uma opção.

Jordan tem espaço para jogar no post up e opções de passa.

Lakers de Shaq, post up

Mais mudanças no triângulo. Com os Lakers de Shaq, o foco era o Mais Dominante de Todos os Tempos no garrafão.

Kobe chama a atenção suficiente para que Grant tenha a linha de passe direto para o Superman Original. Com o passe de Grant, Fisher sobe, provavelmente esperando que o ala-pivô de óculos vá para a zona morta.

Grant sabe ler o triângulo como poucos e vê Shaq tendo vantagem, resolver ser opção de passe.

Shaq vai para a cesta, enquanto Fisher, Rick Fox e Kobe fazem o equilíbrio defensivo.

Alley Oop Shaq

Uma maneira boa de escapar um pouco do triângulo, dando liberdade para Shaq explorar o garrafão.

Brian Shaw e Kobe se encaminham para fazer o triângulo clássico no lado fraco. Mas Shaq vê o espaço e corta para o post up. Grant se prepara para o corta-luz.

Shaq reconhece que a defesa pende demais para tirá-lo do post e gira velozmente.

Fisher reconhece a oportunidade e passa para a ponte aérea.

Lakers de Kobe

Sem Shaq, os Lakers voltaram para um triângulo mais tradicional.

Metta World Peace, Pau Gasol e Kobe formam o triângulo no lado forte, Fisher e Andrew Bynum completam o sistema no lado fraco. MWP passa para Fisher e vai fazer o corta-luz em Kobe, junto com Gasol.

Fisher passa para Bynum e vai para a zona morta. Do outro lado, Kobe se apresenta na cabeça do garrafão, MWP se posiciona na outra zona morta.

Bynum entrega a bola para Bryant e deixa o ala-armador ter espaço para tomar decisões.

Infelizmente, o New York Knicks não comprou o sistema ofensivo como os outros times. Nem todos os títulos que o triângulo conquistou foram suficientes para isso. E o time não deu tempo suficiente para que Phil Jackson trabalhasse. 

Essa foi a introdução ao triângulo. Espero que vocês tenham gostado. Até a próxima, amiguinhos!

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