Um guia básico do triângulo ofensivo -Parte 1

Um guia básico do triângulo ofensivo -Parte 1

O triângulo é uma das formas mais fortes que se pode encontrar. Ao contrário do quadrado, que perde sua forma quando uma pressão é aplicada em qualquer ponto, o triângulo mantém sua forma. Uma vez construído, nenhuma força externa muda o ângulo de seus vértices. Toda essa força serve como um paralelo do triângulo ofensivo de Tex Winter.

O quê, vocês acharam que eu ia começar com aula de geometria sem chegar no basquete? 

Sam Barry, treinador da universidade de Southern California, inventou o sistema de poste triplo nos anos 40. Mas foi Tex Winter, na universidade de Kansas State e depois com o Chicago Bulls e Los Angeles Lakers, que revolucionou e popularizou o sistema.

Como todo sistema ofensivo, o triângulo tem vantagens e desvantagens.

Vantagens

  • É um ataque sem posições. Como o basquetebol moderno gosta, as cinco posições mudam de lugar e papel em todo momento. Com os Bulls, Michael Jordan estava no plost up seguidas vezes. Com os Lakers, Shaq era o cara que fazia o ataque funcionar dali.
  • Continuidade. O triângulo não tem jogadas rígidas. Sendo assim, quando uma não dá certo o time não precisa voltar para o primeiro passo. Pode se movimentar até um arremesso aparecer.
  • Desenvolve o tal de “QI de basquetebol”. Como os jogadores devem ler e reagir ao que acontece em quadra, ele é obrigado a entender mais o jogo.
  • Envolve todo o time. Conhecido como “ataque de oportunidades iguais”, o triângulo faz com que todos estejam envolvidos e em ritmo. Assim, quando Jordan precisar passar a bola para Steve Kerr, Kerr não vai estar frio, mas sim pronto para corresponder.
  • Adaptável. O triângulo com Jordan de foco era de um jeito, com Shaq era de outro e com Kobe ainda outro. Assim como não é difícil adaptá-lo para um jogo com mais chutes de 3.

Desvantagens

  • Com jogadores que não sabem ler o jogo, ou que não aprendem, o sistema afunda. Diferente dos outros estilos de ataque, não existe uma jogada base para salvar esses jogadores.
  • Muitas opções. Mais uma vez, um jogador com dificuldade para ler e reagir não vai saber o que fazer com as inúmeras opções que o ataque gera.
  • Fundamentos. Winter era famoso por começar os treinos com fundamentos do basquete, algo perdido na NBA moderna. Sem fundamentos é mais difícil de entender o jogo.
  • Controle total dos jogadores. Phil era conhecido por pedir poucos tempos. O triângulo depende muito mais dos jogadores do que de um treinador controlador nas laterais. Nem todo time ou treinador tem personalidade e/ou qualidade para isso.

As posições do triângulo ofensivo

Esqueçam armador, ala-armador, ala, ala-pivô e pivô. O triângulo funciona de maneira diferente.

Posição 1 – zona morta: O zona morta normalmente é o armador, ou alguém com um ótimo passe. Essa é a preferência. Ele fica no zona morta do lado da bola, também conhecido como lado forte.

Posição 2 – gatilho: O gatilho se chama assim porque a decisão de passe dele é a mais importante para o restante das movimentações.

Posição 3 – trailer: O trailer fica na cabeça do garrafão quando o ataque inicia. Ele deve ter a capacidade de converter o chute de 3 e conseguir cortar para a cesta. Um ótimo exemplo disso era Robert Horry no 3peat dos Lakers no início dos anos 2000.

Posição 4 – oposto: O oposto começa a jogada na meia distância na altura do post up no lado fraco da bola. Ele serve como um escape na meia distância mas pode também fazer corta-luz, cortar, etc.

Posição 5 – poste: O poste fica, bom, no post up entre o gatilho e o zona morta. Ele deve permitir que jogadores tenham espaço para cortar pela linha de fundo e meio da quadra. 

A Linha de Desenvolvimento

A linha de desenvolvimento é uma linha imaginária entre o gatilho e o poste. Ela é obrigatória para que os jogadores entendam para onde ir a cada movimentação.

A ideia é simples, enquanto a cesta, o poste e o gatilho formarem uma linha reta o defensor vai ser obrigado a marcar o poste por trás. Assim, o gatilho pode fazer um passe simples, sem muita dificuldade imposta pela defesa.

Assim, com o poste fica a, no máximo, dois passes de distância da cesta caso o defensor marque por trás, como na foto acima. Ou pela frente, como na foto abaixo.

Espaçamento

O ideal é manter uma distância de 4,5m até 6m. Por que essa distância? Assim os defensores estão longe demais uns dos outros que dificulta dobras, armadilhas e ajudas. E os atacantes estão perto o suficiente para não amontoar a quadra e para que passes cheguem rápidos e certeiros aos seus destinos.

Chegamos ao final da primeira parte do TriânguloCurso 2020. Na próxima aula falaremos sobre os passes de entrada para o triângulo e como os times se adaptaram ao sistema ofensivo. Até lá.

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